Brasil registra a realização de 40 partos prematuros por hora

Estudo da Unicamp mostra que 90% das ocorrências estão relacionadas a problemas de hipertensão das mães.

No Brasil, são realizados 40 partos prematuros por hora. O número é o dobro dos procedimentos feitos em países da Europa, por exemplo. E a pressão alta das mães é o principal motivo do nascimento antes da hora. Um estudo da Universidade de Campinas mostra que a cada 100 partos prematuros, 35 precisam ser induzidos pelos médicos para salvar mãe e bebê. O número é considerado alto pelos especialistas que defendem maior atenção no exame pre-natal.

O que aproxima a história dos bebês Vitória e Eron é que nenhum deles estava totalmente pronto para nascer. As mães desenvolveram hipertensão e precisaram recorrer ao chamado Parto Prematuro Terapêutico, que é quando o nascimento é induzido pelos médicos antes do bebê completar as 37 semanas, ou nove meses.

‘Quando eu completei 23 semanas de gestação, a minha mínima não baixava mais. No parto minha pressão estava 26 por 16. Quando meu bebê nasceu teve que ficar na UTI Neonatal por 28 dias. Eu precisei ficar na UTI por 10 dias.’

A técnica em radiologia Tatiana Rodrigues Teixeira faz parte de uma estatística alta. Um estudo inédito da Universidade de Campinas mostra que 90% dos partos prematuros induzidos têm como causa a pressão alta da mãe.  O estudo foi feito em 20 hospitais referência nos estados no Nordeste, Sudeste e Sul do país. O obstetra Renato Teixeira, um dos coordenadores da pesquisa, alerta para os riscos da doença.

‘A hipertensão não é causa apenas de partos prematuros. Também encontramos, nas complicações decorrentes da pressão alta, umas das principais causas de mortalidade materna no Brasil.’ 

Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Brasil, há 62 mortes de mães para cada 100 mil partos. É o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Entre os bebês, a taxa de mortalidade no país é de dois para cada mil prematuros nascidos. A profissional autônoma Gisele Cristina da Silva teve hipertensão, mas não foi alertada corretamente para os riscos. Descobriu na hora do parto que já estava tarde demais para salvar o bebê.

‘Disseram para eu tomar remédios e controlar a pressão. No hospital disseram para repetir o ultrassom. Foi nesse momento que os médicos do pronto-socorro falaram que o bebê tinha entrado em sofrimento. Foi um choque! Sempre ouvi falar da hipertensão, mas não tinha ideia dos riscos que ela trazia.’

Na gravidez seguinte, Gisele passou pelo mesmo problema. Novamente, por causa da hipertensão, Vitória nasceu antes do tempo e precisou de atenção especial por um longo período depois do nascimento.

‘Ela teve problemas respiratórios, teve pneumonia, desenvolveu sopro no coração e precisou ter acompanhamento cardiológico por um ano. Tudo foi mais tarde para ela. Começou a andar com um ano e meio, começou comer sólidos bem mais tarde. Hoje é uma criança normal para a idade dela.’

No Brasil, atualmente, nascem 40 bebês prematuros por hora, o dobro do que acontece em países da Europa, por exemplo. A maioria deles enfrenta os problemas da pequena Vitória. Para o coordenador do estudo da Unicamp, Renato Teixeira, a prematuridade deve ser levada mais a sério e é preciso que ações específicas de pre-natal sejam traçadas pelos gestores em saúde.

‘O acompanhamento pré-natal precisa ter mais atenção. Além de diagnosticar os problemas, como já acontece, é preciso que haja um acompanhamento multidisciplinar nos centros privados e públicos, o que ainda é muito frágil.’

No sistema público, o Ministério da Saúde informa que o número de consultas de pré-natal foi ampliado em 93% nos últimos 10 anos. Mas um relatório elaborado pela ONU em 2014, com colaboração do Brasil, mostra que em 2013 apenas 10% do orçamento autorizado para a criação do programa Rede Cegonha havia sido emprenhado até o fim do ano passado. 

Fonte: http://cbn.globoradio.globo.com

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