Crise, praia e desempenho: quando o funcionário é refém do trabalho

Desempenho no atual cenário da economia está sendo um ponto crucial para que empresas possam se manter competitivas e conseguir sobreviver nesses “períodos de vacas magras”. Estruturas sendo refeitas, fusões sendo planejadas e filiais fechando por conta de falta de cliente. É claro que alguns setores não enfrentam dificuldades, estão contratando e até expandindo seus negócios. Contudo, outros tantos setores estão vivenciando um intenso momento de foco no desempenho financeiro, administrativo, e até criativo.

Pensar em desempenho, qualquer que seja seu objeto de atenção, é pensar que o funcionário é o ponto chave nos planos do agora e do futuro para filtrar, analisar e transformar informações – e todo esse processo requer energia. Energia que vem sendo sugada ao extremo, e eu explico. Com uma menor quantidade de gente dentro das empresas, aqueles funcionários que ficam têm que dar conta de uma carga de trabalho muitas vezes superior a que habitualmente tinham. Logo, torna-se frequente ficar depois do expediente, levar trabalho para casa e até atender ligações em horários de descanso do profissional.

Aquela praia para relaxar, aproveitar o fim de semana e o feriado, fica comprometida por conta das grandes demandas, das excessivas reuniões e da grande quantidade de trabalho. A praia, possível momento de férias de um indivíduo para recarregar as energias, estão sendo canceladas por que as empresas estão com suas equipes enxutas, e em muitas situações, nem todo mundo tem múltiplas habilidades. Como consequência de um ambiente de trabalho exigente, muitas pessoas estão reféns de seu trabalho hoje, temendo também a situação de crise que constantemente é noticiada nos jornais.

As empresas não podem sobrecarregar os funcionários por conta da crise, sem uma devida compensação, sob pena de ver talentos irem em busca de outras oportunidades. E hoje, posso afirmar com uma certa tranquilidade, a compensação (reconhecimento) mais utilizada pelos gestores ainda é a financeira. Por que os gestores ainda entendem que o aspecto financeiro é o principal motivador dos funcionários? Talvez por seu efeito seja imediato? Acredito que existe uma incapacidade muito grande para a gestão e liderança, já que pessoas que são promovidas muitas vezes não tem uma competência madura o suficiente para entender as nuances do período que estamos vivenciando – o que acarreta cobranças (e metas) excessivas para o funcionário, sem a preocupação por parte da empresa de retê-lo (a).

O cenário político do país requer, claro, decisões conscientes e riscos planejados; e para que isso possa acontecer, funcionários valorizados tornam-se o maior ativo da empresa. Inteligência de mercado, aspecto tão crucial para a dinâmica de qualquer estrutura econômica, precisa ser pensado e executado por pessoas que não sejam reféns de seu trabalho, nem escravos de uma rotina imposta. Como diz Mario Sergio Cortella, “é tempo para o conhecimento” e eu poderia complementar: e para investir nas pessoas.

Por Ricardo Verçoza – Professor, Administrador e futuro Jornalista

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