Líder de primeira viagem: desafios e aprendizados

Sempre realizando as próprias atividades. Sempre preocupado em atingir as metas e em cumprir o planejamento. Consciente sobre a forma de executar o trabalho dentro do ambiente corporativo. Uma pessoa diferenciada…

É possível analisar características como sociável, participativo, habilidade para trabalhar em equipe (entre outras) e compreender que são marcas que fazem um profissional ser percebido de uma maneira diferente. E ser percebido diferente dentro de uma empresa pode ser o passaporte para assumir um cargo de liderança – fato cobiçado por muitos profissionais.

No entanto, essa “transição” deve ser executada com atenção, pois se antes o profissional tinha que apenas gerenciar aquilo que fazia, agora passa a gerenciar o que outras pessoas fazem – e lidar com o outro às vezes pode não ser tão fácil. Michael Watkins, professor da Universidade de Harvard, sugere, em seu livro ‘Os primeiros 90 dias – estratégias de sucesso para os novos líderes’, que os três primeiros meses são cruciais, e que o novo líder deve usá-los para aprender e planejar estratégias. Se eu passo, por exemplo, a lidar com as atribuições da liderança, tenho que perceber que meus aspectos comportamentais, antes voltados para mim, agora tem que contemplar o coletivo.

Esse aspecto do coletivo muitas vezes não é fácil para os líderes iniciantes, mas o tempo e a sensibilidade no aprendizado são importantes para a mudança e adaptação de perspectiva. Para ajudar nesta reflexão, apresento 4 desafios que o novo líder deve estar atento:

1 – Entender o contexto: para iniciar uma nova atividade, ou um cargo de liderança como tratamos aqui, é fundamental perceber o contexto, ou seja, perceber as mensagens que são constantemente enviadas, a forma de relacionamento e até características culturais para poder se apropriar da nova função;

2 – Conhecer o time: conquistar as pessoas é indiscutivelmente o ponto determinante para que o líder possa desenvolver seu trabalho e também contribuir para que as pessoas possam melhorar. Sendo assim, reservar momentos individuais, e em grupo, possibilita conhecer e se conectar com que trabalha na empresa;

3 – Disseminar valores: cada um tem um modo de trabalho, e com você não poderia ser diferente.  É interessante que, ao longo do tempo e das atividades, você possa disseminar o que em sua ótica é importante – seus valores; dessa maneira, os profissionais criam um referencial de conduta a partir de suas ações;

4 – Compartilhar informações: comunicação é a questão chave para qualquer atividade humana, e não deve ser em hipótese alguma ser negligenciada. Logo, para que você possa ter sua equipe trabalhando com sinergia, torna-se necessário compartilhar informações. Use reuniões formais e informais, momentos de feedback, e-mails, por exemplo.

Entender estes 4 desafios faz com que o líder de “primeira viagem” minimize as dificuldades que a mudança traz. Desta forma, passa a desenvolver suas habilidades para lidar com o novo “contexto”, e consequentemente com as pessoas e as novas atribuições que irá desempenhar. O importante é não ficar acomodado e ter abertura para vivenciar o novo mundo de aprendizados que está por vir!

“O melhor líder não é necessariamente aquele que faz as melhores coisas. Ele é aquele que faz com que pessoas realizem as melhores coisas.” –  Ronald Reagan, ex-presidente americano.

Texto baseado na reportagem “Chefe de primeira viagem”, edição de abril da revista Você S/A.

Por Ricardo Verçoza – Autor do Parceria em Ação

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