Livro discute criatividade na escola e propõe estratégias para construção de novos cenários de aprendizagem‏

Nesta semana o grupo de pesquisa Ciências Cognitivas e Tecnologia Educacional da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Abble Estúdio de Aprendizagem e a Pipa Comunicação lançam na web o livro Cultura Digital na Escola: habilidades, experiências e novas práticas, de autoria dos pesquisadores Alex Sandro Gomes, Pasqueline Dantas Scaico, Lays Rosiene Alves da Silva e Ivson Henrique Bezerra dos Santos, todos vinculados ao Centro de Informática (CIn UFPE). Em abril a obra também será publicada em edição impressa.

Cultura Digital na Escola inaugura a Série Professor Criativo: construindo cenários de aprendizagem. Os volumes têm como objetivo oferecer a professores e pesquisadores conteúdo capaz de fomentar a discussão sobre inovação da prática de ensino. Mais do que promover o confronto entre os paradigmas conservador e inovador, a obra pretende promover um diálogo menos conflituoso entre esses dois pontos de vista.

O que se vê hoje é um cenário que coloca práticas inovadoras em contraposição direta com modelos que, de alguma maneira, já fazem parte do cotidiano dos professores em sala de aula. Mas, é ainda insuficiente a reflexão sobre como as práticas já utilizadas podem dialogar com estratégias inovadoras a fim de garantir uma participação mais ativa dos alunos e uma aprendizagem mais efetiva.

Um exemplo claro e atualmente muito discutido são as estratégias de Sala de Aula Invertida (do inglês Flipped Classroom) que lança mão das tecnologias digitais, prática considerada inovadora, associadas a atividades de exposição, compreensão e discussão sobre conteúdos, lógica que já faz parte da sala de aula há muitos anos e que agora ganha um novo arranjo. Na Sala de Aula Invertida os alunos estudam o conteúdo em casa, por meio de videoaulas ou outros recursos interativos, e na sala de aula são postos em prática exercícios e atividades em grupo em que o professor aprofunda o tema participando ativamente e estimulando discussões. As práticas de Sala de Aula Invertida são um exemplo claro de como o diálogo entre a inovação e o tradicional pode acontecer de forma simples e harmônica.

Outro exemplo que desmistifica a complexidade no uso das tecnologias aplicadas à educação é o modelo de Ensino Híbrido (Blendend Learning) que mistura momentos em que há uso da tecnologia digital, geralmente online, com situações nas quais a tecnologia digital não está presente. Nesse último caso os professores propõem atividades que valorizam as interações interpessoais face a face.

É bem verdade que a explosão das tecnologias digitais causou certo espanto e em muitos casos até medo nos professores. Movimento natural que aconteceu em diversos outros momentos da história quando novas tecnologias despontaram. Na segunda parte do livro Cultura Digital na Escola os autores discutem justamente sobre as experiências de uso das tecnologias na prática docente, que acontecem há vários séculos. No livro os autores apresentam o exemplo de Commenius e Pestalozzi, entre os séculos XVI e XVII, que já utilizavam abundantemente materiais educativos no contexto do ensino da Geometria. A tecnologia, digital ou não, seria então uma ferramenta de estímulo que pode garantir bons resultados tanto na aprendizagem dos alunos, dentro e fora da sala de aula, quanto nas práticas pedagógicas dos docentes que, ao conhecer e utilizar a tecnologia, são capazes de construir novos e múltiplos cenários de aprendizagem para seus alunos e para si.

O eBook apresenta um capítulo inteiro dedicado ao planejamento detalhado de novas práticas em que são utilizados diferentes materiais, sejam eles tecnologias digitais ou não, a exemplo das redes sociais, RPG, filmes, jogos e desenhos. São seis modelos de cenários de aprendizagem prontos para serem postos em prática ou servir como inspiração para os docentes.

Mas o que é um professor criativo?

Para Alex Sandro Gomes, professor do Centro de Informática da UFPE e um dos autores do livro Cultura Digital na Escola, a criatividade é uma forma de ultrapassar fronteiras. “A professora ou o professor criativo é aquele cuja atuação renova a definição de sua própria prática e as de outros professores. Ela, ou ele, não se limita a modelos e formatos e propõe novas formas de educar. Ao construir novos cenários, usa e é capaz de desenvolver uma ampla gama de situações com recursos e dinâmicas”, afirma. Além da atuação acadêmica, Alex Sandro Gomes também articula uma série de atividades de formação e inovação como o estúdio de aprendizagem Abble, cujo foco é a formação de professores, e as comunidades de software livre Amadeus Openredu.

Já Leila Ribeiro, doutoranda em Ciência da Informação na Universidade de Brasília (UnB) acredita que a criatividade está diretamente ligada ao exercício de empreender. “Educador criativo é aquele que não tem medo de conhecer, não se esquiva do novo, questiona o que todo mundo segue sem questionar e experimenta, mesmo fazendo caretas. Ser criativo não é um dom, muito menos um conceito de “ser artista”. Ser criativo é pensar diferente do igual, é tentar outras maneiras, mesmo que pareça existir apenas uma. Ser curioso é essencial para o professor criativo”, afirma. Educadora e ativista pela vida em rede on e off-line, Leila realiza amplo trabalho de conscientização docente no site www.sala.org.br através das experiências de professores, muitas delas diretamente ligadas ao exercício da criatividade. “Sempre faço uma analogia com Alice no País das Maravilhas: ela não tinha medo do que via e tudo era completamente fora do convencional. Alice era uma exploradora, não havia perigos ou príncipes para salvá-la, só havia um mundo incrível para ser desbravado e conhecido por ela. Talvez seja isso: precisamos ser mais Professores Alice #curiouser”, conclui. 

Tanto Alex Sandro Gomes quanto Leila Ribeiro acreditam que a criatividade é uma questão de movimento, de ação e superação. Mas, esse ponto em comum não está presente apenas na opinião de professores com anos de experiência de prática docente. Daniella Duarte é professora recém-formada e ministra suas aulas em uma escola particular do Recife há pouco mais de 1 ano. Vem transformando sua prática pedagógica desde quando integrou a equipe do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Ministério da Educação (PIBID/CAPES/MEC), cujo foco são atividades de iniciação à docência para os estudantes das licenciaturas. No programa, Daniella atuou em escolas da rede pública onde teve a oportunidade de pôr em prática uma série de estratégias para o ensino da linguagem, mais precisamente sobre Gêneros Textuais, em que vídeos, jogos, desenhos e outros recursos foram utilizados. As experiências do Pibid Letras da UFPE viraram séries de livros digitais para dar suporte à formação de muitos outros professores. “Ser um professor criativo é conhecer os gostos musicais, literários, cinematográficos do aluno. É conhecer o universo no qual o aluno está inserido, seja ele qual for. Ser um professor criativo é ser aberto a críticas, reconhecer o erro, investir no futuro. Ser um professor criativo é unir a teoria acadêmica à prática, ao contexto de cada sala de aula. É superar limites (de tempo, de cansaço, de curiosidade). É, acima de tudo, estar feliz em ampliar o universo de tantos alunos”, comenta. 

Cultura Digital na Escola: habilidades, experiências e novas práticas está disponível para aquisição no endereço: http://www.pipacomunica.com.br/livrariadapipa. Para garantir o máximo alcance da obra os professores interessados poderão escolher entre o formato impresso ou o digital. A edição digital já está à venda pelo valor promocional de lançamento de R$ 9,90, cuidadosamente estipulado para garantir o acesso de todos os professores. Já a edição impressa poderá ser adquirida em abril pelo valor de capa de R$ 34,90, com frete gratuito para todo o território nacional.

Informações com a Assessoria de Comunicação

 

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