Carreira: “Trabalho em casa – uma questão ambiental”

Da próxima vez que você se pegar sonhando como seria bom trabalhar em casa de pijama, não se culpe. Você não é preguiçoso. É visionário!Working-from-Home O trabalho em casa (ou “telecommuting”, em seu termo mais apropriado), surgiu com o avanço da tecnologia, que permitiu ferramentas de comunicação, compartilhamento de dados e administração de recursos à distância. Este tipo de emprego vem sendo estudado e experimentado em diversos países. E os resultados mostram uma importância muito mais abrangente do que você espera, até mesmo para o meio-ambiente.

Estima-se que cerca de 40% da mão-de-obra dos EUA é composta por profissionais que poderiam exercer suas funções no aconchego do lar. Para fins práticos, vamos imaginar que o Brasil possua uma porcentagem semelhante.

Agora imagine retirar do trânsito 40% das pessoas que estão voltando do trabalho na hora do rush. Além de melhorar o fluxo de carros e desafogar o transporte público, as emissões de gás carbônico, o consumo de combustíveis fósseis e a poluição sonora são bem menores. E com o número reduzido de veículos, torna-se desnecessário adotar políticas de controle, como o famigerado rodízio de carros. O número de acidentes também diminui. Por fim, com ruas mais vazias e seguras, cada vez mais pessoas aderem aos transportes alternativos, como a bicicleta. O meio-ambiente agradece.

Além disso, o telecommuting protege sua saúde e a da sociedade. Vários estudos apontam que a maioria das epidemias e doenças contagiosas é contraída em ambientes de trabalho e outros espaços públicos. Várias pessoas vindo de diferentes partes da cidade e comprimidas num pequeno espaço com um ar-condicionado. Não é difícil concordar, não é?
A probabilidade de ser assaltado, atropelado e sofrer um acidente de trabalho também é muito menor quando se trabalha de casa.

Outra estatística é de que as pessoas com cargos em sistema de telecommuting são menos estressadas. E acho que nem preciso explicar porque. O fato é que uma comunidade sem estresse é menos propensa a cometer atos violentos ou contra a lei, desde brigar no trânsito, discutir com o caixa do supermercado e até agredir uma criança ou um animal.

Ok, tudo parece perfeito. Mas e o que as empresas ganham com isso? Afinal, sempre ficamos com o pé atrás quanto ao telecommuting. Será que os funcionários estão realmente trabalhando em casa ou estão vendo algum vídeo no Youtube? Como controlar o horário de trabalho e a produtividade? Gerenciar recursos (principalmente humanos) à distância é realmente um desafio. Sabemos que, principalmente no Brasil, ainda não estamos nada prontos para essa perspectiva.

A boa notícia é que todos os que se arriscaram no ramo afirmam que nada poderia ser mais recompensador. É claro que a empresa precisa de toda uma preparação para que o sistema dê certo. É preciso saber reconhecer o perfil de pessoa com disciplina suficiente para trabalhar de casa, longe das vistas do chefe. É preciso investir em motivar o funcionário com os objetivos da empresa e criar maneiras de investigar e controlar a produtividade, como reuniões presenciais em determinado dia da semana. E é preciso acostumar a população com a realidade do emprego em casa, para que encarem o cargo com seriedade. No fim, o que as pessoas dizem é que um funcionário satisfeito acaba querendo contribuir com o desenvolvimento do negócio por conta própria.

A empresa pode vir a economizar muito dinheiro também. A conta de luz, grande vilã em inúmeros estabelecimentos, torna-se quase nula. Economiza-se em papel, água, manutenção, internet, auxílio transporte. A quantidade de lixo produzido é ínfima, e novamente, o meio-ambiente agradece.

Além disso, funcionários felizes e relaxados trabalham mais. Como terão menos doenças, sofrerão menos com assaltos e acidentes e poderão cuidar da família ao mesmo tempo em que cumprem a jornada de trabalho, faltam menos. O horário flexível também ajuda a cumprir os cronogramas e metas. Várias mulheres com filhos recém-nascidos continuam a trabalhar de casa sem nenhum prejuízo ao trabalhador ou empregador. Em resumo, o telecommuting não é conversa de preguiçoso. É questão ambiental, social e humana. Coloquem suas pantufas, peguem suas xícaras de café e apoiem essa ideia. E você, está esperando o que pra mostrar esse texto ao seu chefe? 

Por Fernanda Castro, colaboradora de conteúdo do blog Parceria em Ação. 

Twitter: @_mfcastro

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